PAULO PORTAS ACUSADO DE TRAIDOR POR EX-MINISTRO DE PASSOS COELHO

Álvaro Santos Pereira garante que “não está minimamente” nos seus planos regressar à política nacional e defende uma união entre partidos para que seja criada uma legislação para que os “políticos não estejam comprometidos com o interesse e o poder económico”.

Quase quatro anos depois de ter sido demitido do governo então liderado por Pedro Passos Coelho, Álvaro Santos Pereira é agora um dos economistas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Em declarações transmitidas esta quarta-feira na ‘Grande Entrevista’ da RTP, o antigo ministro da Economia recordou a sua passagem pelo então executivo que terminou após a crise política do verão de 2013.

Santos Pereira garante que tem “grande orgulho daquilo que foi feito e alcançado”, sublinhando que Portugal fez as “maiores reformas económicas dos últimos anos”.

“Fomos contra as rendas de energia, das Parcerias Publico-Privadas (PPP) e contra grupos de interesse como ninguém até então tinha ido”, começou por dizer, acrescentando que até à sua nomeação como ministro, no Ministério da Economia “nunca ninguém tinha tirado um cêntimo às elétricas e nós tirámos 3,5 mil milhões de euros porque era importante para aumentar a competitividade da economia portuguesa e porque as rendas da energia foram criadas para proteger um setor e algumas empresas à custa do resto da economia”.

“Quando cortámos as rendas das PPP cortámos 7 mil milhões de euros e fizemo-lo porque sabíamos que só assim vamos ter sustentabilidade das contas públicas no futuro. Quando fomos contra alguns grupos de interesse isso causou incómodo, mas mostrámos claramente que quando se está no governo o que importa é o interesse nacional”, acrescentou.

Ainda sobre o tempo em que foi ministro, Santos Pereira garante que ser independente, como foi o seu caso, tinha as suas vantagens e desvantagens, sendo a principal vantagem o facto de que as “pessoas sabiam” que quando saísse do governo “não ia atrás de um tacho político” e, por essa razão, podia ir “contra os lobbys e grupos de interesse de uma forma que outros ministros anteriormente não podiam”.

Claro que também tinha desvantagens e a principal dizia respeito à “vulnerabilidade” que enfrentaria numa “eventual crise política”.

E esta foi a deixa para falar, não na eventual, mas na real crise política que Portugal viveu no verão de 2013 quando Paulo Portas disse que se demitia e que essa demissão era “irrevogável”.

Sem mencionar diretamente o nome do ex-líder do CDS, Santos Pereira garantiu “não retirar uma palavra” do que escreveu no livro ‘Reformar Sem Medo, um Independente no Governo de Portugal’. E nessa obra, o economista acusa Paulo Portas de ter colocado os interesses pessoais e do partido acima dos interesses nacionais.

A este respeito, Santos Pereira disse hoje que “quando um país está sob resgate, está vulnerável, haver alguém que crie uma crise política para ter benefícios, isso para mim é traição à pátria e tem de haver consequências”.

Fonte: Noticias ao Minuto

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